Chegou ao fim mais um dia de trabalho. Senti-me realizada hoje! Um turno de manha, com o serviço lotado até quase à porta, sim porque para além de camas, ainda temos macas no corredor com doentes, mas falarei disso outro dia…. Dizia eu que me senti realizada… entre os meus 7 doentes, tinha um que está na cama 34, o senhor F. que encontrei, hoje, no início do turno, com fácies triste e imobilizado dos membros superiores. Não conhecendo o doente, e tendo apenas como ponto de partida o que os meus colegas me tinham passado em turno, tentei perceber o senhor… Afinal o senhor F. é um doente orientado que apenas estava insatisfeito e agitado por estar algaliado (não tinham explicado o porquê!) e necessitar de mascara de venturi. Com autorização medica desalgaliei-o e chegamos á conclusão que afinal nem necessitava de mascara de venturi. Conclui que por vezes, devido ao número elevado de doentes passam-nos ao lado certos pormenores que são importantíssimos para o doente, direi mesmo são falhas que temos que assumir e teremos que estar mais alerta. O doente é um todo e temos que o ver de forma holística. Não temos à nossa frente uma máquina, mas sim uma pessoa! O senhor F. já está naquele serviço fazia hoje três dias e esteve sempre imobilizado com a justificação que ele tentava retirar a algália. Ninguém teve 5 minutos para o tentar perceber! Afinal o doente até tinha mesmo dor a nível do pénis porque depois ficou calminho e referiu não ter dor… O senhor F. ficou feliz e agradeceu bastante. Parece que ganhei o dia apenas com o sorriso que ele me esboçou. Senti-me realizada! È por conseguir fazer algo pelos outros num momento em que as pessoas precisam de mais carinho, que gosto tanto da minha profissão. Senti-me mesmo feliz! :D è triste por vezes os doentes e família só verem as nossas falhas, os nossos aspectos negativos e não repararem no esforço que fazemos para torna-los felizes. Usam o livro de amarelo só para fazer reclamações, mas raramente fazem um elogio.